BE maior de idade mas ainda virgem

O Bloco de Esquerda teve o maior crescimento de todos os partidos nas legislativas de domingo, duplicando o seu grupo parlamentar, de 8 para 16 deputados. Mas se a noite começou extremamente doce para o BE, acabou com um travo amargo. Começou com previsões de 18 a 20 deputados, estatuto de terceira maior força política à frente da CDU mas também do CDS/PP e a capacidade de fazer maioria absoluta com o PS. Acabou com “apenas” 16 deputados confirmados, inúteis para viabilizar/fazer cair um governo, e um resultado final a fixar-se nos 9.9 por cento, com o CDS/PP a ultrapassa-los e a ultrapassar os dois dígitos.

Talvez isto tenha sido o melhor que podia acontecer ao BE: se o eleitorado tivesse oferecido aos bloquistas o ónus de viabilizar/fazer cair um governo acabariam por deixar sempre descontente parte do seu eleitorado. Se suportassem no parlamento o governo do PS e a sua “política de Direita” seriam acusados de pactuarem ou mesmo de se tornarem iguais aos que criticavam. Se, pelo contrário, recusassem suportar o governo seriam acusados da irresponsabilidade ou de entregarem o PS nos braços dos partidos da Direita. Assim, podem continuar a fazer oposição à vontade e alimentar a esperança de crescer ainda mais à custa do PS.

Com este resultado o BE fica impossibilitado de usufruir de todos os prazeres de ser um partido maior, arredado das questões de poder, mas mantêm a virgindade intacta. Uma eventual “menage a trois” com o PS e a CDU, para viabilizar uma ou outra medida, será sempre tão fugaz, tão cheia de sentimentos de culpa para todos os intervenientes, que é sempre possível proclamar que não se chegou a vias de facto.

ap

P.S. – Comentário da a2 ao ler este post: é uma visão muito PS, nem parece que votaste no BE. Precisão minha (ou, como se costuma agora dizer, declaração de interesses): votei no BE.

Há pessoas que não deviam poder morrer

João Vieira (Out. 1934 – Set. 2009)

Uma rosa é, 1968 (Col. CAMJAP)

Uma rosa é, 1968 (Col. CAMJAP)

Zambujeira do Mar

Zambujeira

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A gerência informa ser muito dificil formatar o tamanho das imagens no wordpress, daí que esteja cada qual do seu tamanho.

Habitar Istambul

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Prison Break – Temporada Oeiras

Oxalá me engane mas estou em crer que Isaltino de Morais voltará a ganhar as eleições autárquicas em Oeiras, apesar de ter sido condenado esta semana a sete anos de prisão efectiva por corrupção (pena suspensa devido ao recurso do autarca).

Será que uma larga maioria dos eleitores de Oeiras acredita na inocência do autarca? Será que os eleitores de Oeiras pensam que a sentença é uma vingança, uma perseguição ou uma cabala contra Isaltino de Morais? Julgo que não.

O que acontece, como já aconteceu há quatro anos quando Isaltino foi reeleito apesar das investigações judiciais já então em curso, é que os sofisticados e urbanos eleitores de Oeiras colocam o voto na urna com o mesmo pensamento linear que se pode ouvir em qualquer tasca deste país, de Felgueiras a Gondomar: eles (os políticos) são todos iguais. Assim sendo, como todos retiram benefícios pessoais dos cargos que ocupam vota-se naquele que, apesar das suas falhas éticas, faz obra.

Esta atitude diz menos do que se pensa sobre a nossa classe política (onde haverá certamente cidadãos honestos e outros que não o são, como em qualquer outra actividade humana) e mais sobre nós todos, cidadãos deste país. No fundo, o que o cidadão diz ao votar é: esperto é ele, se eu lá estivesse fazia o mesmo.

Mais uma vez fica provado que, ao contrário do que se ouve por ai, a desgraça deste país não é a classe política, a desgraça deste país somos nós todos, cidadãos deste país.

ap

Almeida Santos e a Arte Moderna

O Dr. Almeida Santos, “83 anos. Político e advogado”, deu uma entrevista ao Jornal Sol, publicada na edição nº 150 de 24 de Julho intitulada “Tive algum êxito junto das moças mas nunca fui um galã”, onde disserta sobre vários assuntos desde o futebol, à arte ou à homossexualidade.

Nesta posta apenas abordarei as suas declarações sobre “arte moderna”.

A certa altura, quando questionado se se emociona com uma pintura declara: “Sobretudo com a pintura clássica. Com a pintura moderna não tanto. Não a entendo bem …”.

Entendo perfeitamente que se emocione com a pintura clássica e não com a moderna porque não a entende. Até aqui tudo bem…mas logo de seguida diz que tem a convicção de que muitos dos artistas plásticos modernos são trapaceiros, não têm jeito e fazem coisas disparatadas. Então se o ilustre advogado não “entende” a arte “moderna” como pode ter a “convicção” e dar opinião sobre o carácter dos artistas plásticos contemporâneos? Depois continua a dissertar sobre mesmo assunto (que ele próprio já tinha afirmado não entender) e aventura-se a dissertar sobre o que é e não é Arte!!! Diz que viu uma escultura mas depois questiona-se se era ou não e, no meio deste discurso, sai-se com a célebre frase “qualquer criança faz aquilo”. Por favor, haja paciência para ver isto nas páginas dos jornais vindo de uma pessoa que teve responsabilidades ao mais alto nível da hierarquia do Estado, personalidade marcante no processo de transição democrática e com uma larga actividade parlamentar.

Se estas palavras não tivessem vindo da parte do Dr. Almeida Santos, não me supreenderiam muito pois quem lida com arte contemporânea está habituado a ouvi-las frequentemente. Agora da parte do “Político e advogado”, deixam-me perplexa. Não estamos numa conversa de café e o Jornal Sol teve uma tiragem média em Junho de 67.632 exemplares.

Como agora já deve ter mais algum tempo livre até podia aconselhar este político a frequentar algumas actividades dos serviços educativos das instituições culturais para tentar entender a arte moderna. Também podia ler um livro (fininho que até já está traduzido para português) intitulado “A Origem da Obra de Arte” de Martin Heidegger ou, em alternativa, abstrair-se de dar opiniões sobre o assunto.

Só me lembro de uma frase recorrente sessões parlamentares, onde o Dr. Almeida Santos foi deputado durante tantos anos: “Não fale do que não conhece!”.

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 Transcrição do excerto da entrevista referido:

“Mas emociona-se com uma pintura?

Sobretudo com a pintura clássica. Com a pintura moderna não tanto. Não a entendo bem e tenho a convicção de que muitos artistas plásticos modernos são trapaceiros. Não têm qualquer jeito para ser artistas e acabam por fazer coisas disparatadas. Uma vez fui ao Museu do Prado, em Madrid, e havia uma sala com quadros. Eram traços verticais com cores de um lado e do outro. Isto é arte? Talvez seja, mas está muito próxima da não arte. Qualquer criança faz aquilo. Depois, noutra sala, estava uma escultura que não passava de latas de cerveja empilhadas a um canto. Isto é uma escultura? Se é, eu não a compreendo”.

Modelo de carta para jovens interessados em cargos políticos

Modelo inspirado num não-facto político recente e com múltiplas aplicações, incluindo candidatos a lugares em partidos “mainstream”.

Cara Dra. Manuela,

Como já deverá saber pelas notícias divulgadas nos últimos dias (as quais são obviamente alheias ao facto de ter imensos amigos jornalistas, “opinion makers” e fauna conexa) fui convidado para um lugar elegível na lista de deputados e ainda para a presidência de um instituto público em caso de vitória eleitoral dos nossos opositores. Apesar de ter sido nos últimos tempos injustamente esquecido pelo seu e nosso partido mantenho-me fiel aos meus ideais e por isso recusei liminarmente tais convites. Aproveito para reiterar que, num espírito de total desinteresse pessoal, estou à sua inteira disposição para as tarefas que se avizinham.

Caso pretenda dirigir a carta não à Manuela mas ao José basta o nome próprio sem o título académico mas mantenha o tratamento por você e, sobretudo, evite o obsoleto “camarada”. Caso pretenda dirigir a carta ao Xico pode tratar por tu. Se for para o Paulo mantenha o você. Ao líder do PCP não vale a pena escrever, eles não vão nesta conversa e, ao que consta, ainda exigem parte do ordenado para o partido

ap

Estou obcecado com o défice de memória

“Está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu”, afirmou ontem José Sócrates durante o fórum “Novas Fronteiras”, no Porto [Lusa]

Atão? Atão? E o Botas, não conta?

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As eleições são no Outono, não na Primavera

Há por aí gente, entre a qual algumas pessoas por quem tenho estima pessoal e intelectual, que acredita numa espécie de Primavera marcelista deste PS de José Sócrates. Parecem crer que é possível, sem mudar o líder, corrigir políticas (toca-me particularmente a frase “a classe média não pode ser cilindrada”) e mudar o estilo (o estilo é importante porque os seguidores, nas suas pequenas quintas, procuram mimetizar o estilo do líder, transformando-se em pequenos mas temíveis tiranetes).

Tenho em comum com eles o facto de desejar que o PS ganhe as eleições legislativas. Não quero o regresso do PSD ao poder, em particular deste PSD de Ferreira Leite e Santana Lopes. Só a ideia me deprime profundamente. É também uma questão de amor próprio já que não gosto de ser completamente “cilindrado” na mediania da minha classe.

Afasto-me deles no desejo de que o PS ganhe com maioria absoluta.  À falta de melhores alternativas eu quero que este PS ganhe mas…  com maioria relativa. E pronto. Já tenho manifesto para as legislativas.

ap

É a campanha, pimba!

Os cartazes de propaganda das eleições autárquicas estão já aí pelas  ruas e estradas de todo o país.

Há cartazes elaborados, com muito design e com frases pensadas por especialistas de marketing.  “Eu voto na minha família”, proclama um cartaz de Isaltino de Morais em Oeiras.  Família é família e à família tudo se perdoa – esperam os especialistas de marketing que seja o pensamento dos eleitores?
Mas há também cartazes sem design e sem elaboradas estratégias de marketing como este em fundo degradé vermelho sobre o qual aparecem as carinhas recortadas dos socialistas de Mértola, sem retoques de Photoshop.  Parecem estar à arder na fogueira.

ps mertola 3

ap

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